Com organização e apoio do grupo Família de Rua, mais um Duelo de MCs aconteceu neste último Domingo (22) na parte de baixo do Viaduto Santa Tereza a frente da Serraria Souza Pinto. Programado para as 14hs, muito antes disso já se era visível a chegada de uma parte do público.
Ao chegar ao evento como esse, a primeira percepção que se tem do público é que todos ali presentes são muito semelhantes na maneira de se vestir, há um estilo predominante. Andando pelo mesmo outros aspectos são claramente perceptíveis como, vários grupos e rodas de amigos que se encontram, um espaço que é de alguma forma reservado e com certeza respeitado por todos para a grande prática de skate mesmo durante o evento. É notável que se trata de um programa realmente “jovem”, e talvez bem menos para a família.
Desde o principio verifica-se que existem aqueles que se fazem presentes realmente pela música a acontecer no evento. Estes se aglomeram desde antes do início à frente do palco sede e centro dos acontecimentos.
Antes do auge da tarde, mas ainda sim cumprindo a programação do encontro os trabalhos do artista visual "Um Dias" – convidado pela curadora Carolina Jaued – começam paralelamente ao palco com a sua pintura em uma das pilastras do Viaduto, já com a grande presença do público aguardado. Durante o processo de construção do desenho no painel, é incontestável o enorme talento do artista, com prática e técnica igualmente notáveis. Sem falar nos olhos fixos dos espectadores que rapidamente criam admiração mesmo que a distância.
Enquanto isso e até que se iniciem os duelos, para sustentar o clima de celebração daquela cultura a organização preocupa o tempo todo em manter músicas de um gênero familiar e comum ao gosto de sua audiência. Audiência essa que em nenhum momento se atenta a qualquer tipo de “choque racial”, o evento atrai e se constitui pessoas de todas as regiões de Belo Horizonte, mesmo que exista uma faixa de idade aparentemente muito precisa.
Se existem pontos fracos para se apontar, é possível citar o comércio de bebidas alcóolicas sem qualquer supervisão para menores de idade e o grande consumo cigarros – legais ou ilegais. O que talvez seja negativamente surpreendente, é encontrar mães aparentemente muito jovens, com suas filhas, e consumindo tabaco sem consciência de saúde. Ou ainda, o que possa ser relevante para alguns, a falta policiamento, ou saneamento.
Terminados os olhares para o público e as percepções de tudo que o cerca, por volta de 16h40 os se teve início das atividades no Palco. Muito brevemente, em cerca de cinco minutos a organização fez sua introdução nos microfones e a devida apresentação dos MCs. Que na sequência já começaram a mostrar porquê mereciam estar ali, dando a “plateia” o que eles tanto queriam.
O público realmente se transforma com o início das rimas. As primeiras rimas são como um despertador para qualquer um ali presente, bem de perto ou um pouco mais a distância.
Uma visão de um frequentador de “primeira-viagem”, ou talvez não, é a de que como é bastante impressionante a capacidade de improvisação no momento do denominado “duelo”. Com seus temas decididos ali no início e também durante as rimas, estes temas variam, variam e variam muito daquela inicial, daquele primeiro verso. Desde uma cultura própria e real, indo à religião, criação, infância, trabalho, futuro. Assim como a realidade pobre local, vivenciada talvez pela grande maioria ali, e com certeza pelos os que portam os microfones. Instrumento este que até, por sinal, também tornou parte dos versos.
Ao final, uma última percepção – depois da diversão, “curtição”, alegria e sorrisos – Aqui independentemente do resultado final, existe um respeito mútuo muito grande e evidente entre todos, mas principalmente entre os MCs. Por mais que durante as rimas exista um clima de “batalha”. No fim a alegria é compartilhada por todos, e o que é importante prevalece. Respeito.
Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®




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