A VIDA DO VIADUTO

O Blog que te conta tudo sobre o nosso querido Viaduto Santa Tereza.

O Viaduto

Você conhece a história deste símbolo da capital mineira?

O Trabalho de Campo

Conheça as Intenções deste Trabalho e as Expectativas de Resultado.

Matérias

Confira os nossos textos. Nossas reportagens originais.

Diário de Bordo

Certifique-se de conferir o "caderno" online redigido pelos integrantes ao longo do desenvolvimento do trabalho, relatando as experiências vivênciadas com a realização do mesmo.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

04/07: Um rio invisível aos olhos do trânsito.

O principal curso d’água que corta BH foi deixado de lado à medida que a cidade cresceu. Hoje o que vemos é um caminho de cimento por onde passa água suja.O Arrudas é um ribeirão que nasce no Barreiro e desce por parte de Belo Horizonte até encontrar com o Rio das Velhas em Sabará.

São vários os córregos que nele desembocam ao longo do percurso, sendo eles: Jatobá, Barreiro, Bonsucesso, Cercadinho, Piteiras, Leitão, Acaba Mundo, Serra, Taquaril, Navio-baleia, Santa Terezinha, Ferrugem, Tijuco, Pastinho entre outros. Juntos, eles formam a bacia do Ribeirão Arrudas. Apesar de a maioria das nascentes serem de água limpa, quase todo o esgoto produzido em Contagem e Belo Horizonte é despejado sem tratamento no rio.

O que acaba comprometendo também as bacias do Rio das Velhas e do Rio São Francisco. A água limpa da principal nascente no Barreiro, foi contaminada ao longo das décadas no trajeto até chegar completamente poluída ao Rio das Velhas, em Sabará. A mais de 100 anos o principal curso d’água que corta BH começou a sofrer as consequências de uma cidade que cresceu e já despertava a atenção das autoridades para a poluição.

O projeto Linha Verde  entre a Alameda Ezequiel Dias passando pelo viaduto Santa Tereza, praça da estação e finalizando na Avenida do Contorno no cruzamento com Rio de Janeiro ocasiounou a cobertura do Rio Arrudas, impossibilitando a sua visualização.

O concretamento do seu leito somado à impermeabilização crescente do solo tem causado nos ultimos anos enchentes cada vez mais destrutivas ao longo das bacias do Arrudas e Rio das Velhas.Atualmente o nível de poluição está acima dos ideiais para cursos d’água. Estando o Rio Arrudas na classe 3. Nesta categoria, estão as águas onde é permitida navegação mas proibido o mergulho.

Ao todo, 57% do rio Arrudas já estão fora do seu curso natural e correndo por canais de concreto.

Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®

04/07: Um ídolo internacional que caminhou pelo Viaduto

Entre as primeiras décadas do século XX durante alguns anos entre de 1920 e 1930 um jovem costumava andar pelos arcos do Viaduto Santa Tereza. Este que saía da região Centro-Sul da capital, do bairro Floresta, passava pelo Viaduto Santa Tereza no seu caminho e chegava ao Centro de Belo Horizonte, mais precisamente à Avenida Augusto de Lima, na Imprensa Oficial – prédio em estilo neoclássico localizado na Avenida – onde trabalhava naquela época. Sede da história da impressa Mineira que atualmente em 2016 corre risco de ser extinta conforme a reforma administrativa do governo estadual.

Esse jovem, anos mais tarde, teria a obra reconhecida internacionalmente. Carlos Drummond de Andrade considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Foi também um contista e cronista brasileiro e um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo no Brasil.

"Ele naturalmente subia o arco do Viaduto Santa Tereza, sem que ninguém percebesse.", disse Afonso Borges (curador do 1º Festival Literário Internacional de BH) ao portal G1 em Março de 2015. Ainda se é possível ler "(...) Drummond voltava para casa compondo novos poemas. Desafiou a realidade do ar, passeando por cima dos arcos do Viaduto Santa Tereza. (...) Assim, como quem passa debaixo do Arco-íris se encanta, o arco-íris figurativo do viaduto, encantou o poeta e outros que vieram depois dele, passariam pelo mesmo 'batismo literário' dos arcos do Santa Tereza, (...)" afirma Petrônio Souza, produtor artístico e fotógrafo, em seu texto "Drummond, o pescador de estrelas." no site Tanto Literatura.

"O Viaduto Santa Tereza tem sido uma referência urbana obrigatória para várias gerações de escritores e artistas. O Viaduto estendido por cima do turvo Arrudas, por cima dos trilhos da Oeste Central, reconduzia Carlos Drummond de Andrade da Rua da Bahia, fervilhante e moderna, para a Minas interior do alpendre com pinturas a óleo de castelos, do uivo noturno dos trens na noite silenciosa. Foi nesse clima que o poeta arriscou a loucura escalada dos arcos, rito de passagem, risco penitencial." – diz o parágrafo retirado da nota do fotógrafo Lucas Vieira em sua galeria do site Trekearth.

Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®

domingo, 3 de julho de 2016

03/07: O viaduto como um Lar.

Um ambiente de lazer Vs. Um abrigo

Para os andarilhos, ou 'moradores de rua', o que realmente importa, além da alimentação, é ter um lugar seguro onde se abrigar. A maioria dos conhecidos 'sem teto' levam consigo por onde vão o que eles chamam de 'conforto'. Cobertores, travesseiros surrados, pedaços de colchonete e caixas de papelão que são ganhados ou adquiridos com maior dificuldade para estes que não constituem renda.

Durante uma conversa com Marco Antônio, um dos moradores de rua, de 37 anos, que permanece no Viaduto Santa Tereza, ele contou o porquê da escolha do viaduto para morar e como o mesmo se abriga em dias de evento no local: "Moro no viaduto já fazem alguns anos, não muitos. Gosto daqui porque é seguro e nos dias de chuva e frio eu não passo aperto. O ruim mesmo é quando fazem festas por aqui, pois em algumas delas eu me vejo obrigado a sair e só posso voltar quando não tem mais ninguém, independente da hora." afirmou o senhor que nos contou em poucas palavras uma grande e ainda assim triste realidade cotidiana.
                                                                                                                              
Marco diz que "(...) em alguns eventos até que as pessoas não se incomodam com a permanência de um mendigo, mas quando não posso ficar no viaduto, não saio das redondezas dele porquê um lugar que é tão bom pra mim não pode ser de outra pessoa." ressaltou ele. Não é egoísmo, são táticas, estratégias e técnicas de sobrevivência. Apesar de todo transtorno que enfrentam, quem escolheu o viaduto para se abrigar não abre mão do seu 'cantinho'. 

Para muitos o viaduto não passa de um ambiente de lazer e diversão, um trajeto diário ou ponto de encontro, mas para um morador de rua, é tudo o que ele tem.

Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®