segunda-feira, 4 de julho de 2016

04/07: Um ídolo internacional que caminhou pelo Viaduto

Entre as primeiras décadas do século XX durante alguns anos entre de 1920 e 1930 um jovem costumava andar pelos arcos do Viaduto Santa Tereza. Este que saía da região Centro-Sul da capital, do bairro Floresta, passava pelo Viaduto Santa Tereza no seu caminho e chegava ao Centro de Belo Horizonte, mais precisamente à Avenida Augusto de Lima, na Imprensa Oficial – prédio em estilo neoclássico localizado na Avenida – onde trabalhava naquela época. Sede da história da impressa Mineira que atualmente em 2016 corre risco de ser extinta conforme a reforma administrativa do governo estadual.

Esse jovem, anos mais tarde, teria a obra reconhecida internacionalmente. Carlos Drummond de Andrade considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Foi também um contista e cronista brasileiro e um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo no Brasil.

"Ele naturalmente subia o arco do Viaduto Santa Tereza, sem que ninguém percebesse.", disse Afonso Borges (curador do 1º Festival Literário Internacional de BH) ao portal G1 em Março de 2015. Ainda se é possível ler "(...) Drummond voltava para casa compondo novos poemas. Desafiou a realidade do ar, passeando por cima dos arcos do Viaduto Santa Tereza. (...) Assim, como quem passa debaixo do Arco-íris se encanta, o arco-íris figurativo do viaduto, encantou o poeta e outros que vieram depois dele, passariam pelo mesmo 'batismo literário' dos arcos do Santa Tereza, (...)" afirma Petrônio Souza, produtor artístico e fotógrafo, em seu texto "Drummond, o pescador de estrelas." no site Tanto Literatura.

"O Viaduto Santa Tereza tem sido uma referência urbana obrigatória para várias gerações de escritores e artistas. O Viaduto estendido por cima do turvo Arrudas, por cima dos trilhos da Oeste Central, reconduzia Carlos Drummond de Andrade da Rua da Bahia, fervilhante e moderna, para a Minas interior do alpendre com pinturas a óleo de castelos, do uivo noturno dos trens na noite silenciosa. Foi nesse clima que o poeta arriscou a loucura escalada dos arcos, rito de passagem, risco penitencial." – diz o parágrafo retirado da nota do fotógrafo Lucas Vieira em sua galeria do site Trekearth.

Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®

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