domingo, 3 de julho de 2016

03/07: O viaduto como um Lar.

Um ambiente de lazer Vs. Um abrigo

Para os andarilhos, ou 'moradores de rua', o que realmente importa, além da alimentação, é ter um lugar seguro onde se abrigar. A maioria dos conhecidos 'sem teto' levam consigo por onde vão o que eles chamam de 'conforto'. Cobertores, travesseiros surrados, pedaços de colchonete e caixas de papelão que são ganhados ou adquiridos com maior dificuldade para estes que não constituem renda.

Durante uma conversa com Marco Antônio, um dos moradores de rua, de 37 anos, que permanece no Viaduto Santa Tereza, ele contou o porquê da escolha do viaduto para morar e como o mesmo se abriga em dias de evento no local: "Moro no viaduto já fazem alguns anos, não muitos. Gosto daqui porque é seguro e nos dias de chuva e frio eu não passo aperto. O ruim mesmo é quando fazem festas por aqui, pois em algumas delas eu me vejo obrigado a sair e só posso voltar quando não tem mais ninguém, independente da hora." afirmou o senhor que nos contou em poucas palavras uma grande e ainda assim triste realidade cotidiana.
                                                                                                                              
Marco diz que "(...) em alguns eventos até que as pessoas não se incomodam com a permanência de um mendigo, mas quando não posso ficar no viaduto, não saio das redondezas dele porquê um lugar que é tão bom pra mim não pode ser de outra pessoa." ressaltou ele. Não é egoísmo, são táticas, estratégias e técnicas de sobrevivência. Apesar de todo transtorno que enfrentam, quem escolheu o viaduto para se abrigar não abre mão do seu 'cantinho'. 

Para muitos o viaduto não passa de um ambiente de lazer e diversão, um trajeto diário ou ponto de encontro, mas para um morador de rua, é tudo o que ele tem.

Texto Original © "A Vida Do Viaduto" ®

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